quarta-feira, 24 de julho de 2013

Gil Ordonio

Um Conto ao Luar
Ardente Espera
Magna chega do trabalho cansada. Seus olhos tristes percorrem a praia deserta. O céu de cor plúmbea denuncia uma tempestade que se avizinha. As recordações tomam conta da sua mente. Fora ali, naquela aldeia de pescadores que ela havia sido feliz com o Marcos, um jovem sonhador que vivia de pintar os mais variados temas em seus quadros e viveu também para amá-la loucamente, mas que um dia saíra de sua vida sem nenhuma explicação, sem sequer dizer-lhe um adeus, mas que desde então ela continuava a espera-lo, pois algo lhe dizia que ele ainda voltaria.
Nessa noite, a chuva que desaba cai como uma densa cortina entre ela e o passado. A chuva bate forte contra a vidraça trazendo-a de volta a realidade, inspirando-a para mais um ritual de amor, algo que a deixa entre a realidade e o sonho. Lentamente, diante do espelho ela começa a se despir, os seus olhos entristecidos observa a figura refletida no espelho e nesse momento cenas do passado lhe voltam à mente e como num passe de mágica ela vê o Marcos a despindo lentamente sempre admirando e amando cada parte do seu corpo e foram em muitos desses momentos que eles terminaram por fazer amor debaixo do chuveiro ou mesmo na banheira. Um tremor percorre todo o seu corpo e ela sabe que não é de frio é o desejo fremindo dentro dela. Sem pressa se dirige ao banheiro sente que precisa de um banho de imersão. Deslizando sensualmente por entre as espumas, ela mais uma vez se pega ensaiando os ritos do prazer e assim, ainda coberta de espumas se dirige para o quarto e a cama parece convidá-la e entorpecida pelas suas fantasias eróticas, ela vê Marcos se aproximando, seus olhares se cruzam e ela sabe o que está por vir. E entre sussurros e gemidos sente o deslizar lascivo das mãos dele por todo seu corpo, suas entranhas parecem em chamas, os toques dele parece levá-la a loucura, mas nesse momento descobre que mais uma vez estivera a sonhar acordada. E com o rosto banhado em lágrimas e o corpo molhado de suor que ela se levanta e se dirige à janela. Vê a chuva que continua a cair e pensa no Marcos, as lembranças voltam a possuí-la, havia sido numa noite chuvosa como aquela que se conheceram, e viveram felizes até aquela tarde quando ela voltara do trabalho e não o encontrara, apenas seus quadros repousavam num canto e talvez por isso ela acreditava que ele ainda voltaria. Sai da janela e o barulho da chuva parece ferir sua alma, sem pensar, abre a porta e sai para a chuva, mas a água que escorre pelo seu corpo não aplaca a chama que lhe devora a alma. Caminha sem rumo, a praia é deserta, os pescadores moram um pouco distante dali. Nesse momento percebe alguém se dirigindo para ela, apesar da escuridão ser intensa, ela mais sente do que vê o vulto e sem querer acreditar, pensando ser um momento de desvario vê Marcos se aproximando. Sim, ele voltara afinal, não era sonho. Ele nada fala apenas a toca e as suas mãos deslizam pelo corpo dela, o beijo possessivo a faz entregar-se trêmula de paixão. Marcos a deita na areia e entre carícias e gemidos, com a sua língua sedenta vai deixando um rastro de fogo por todo aquele corpo já tão incendiado pelo desejo e o seu gozo é um grito de liberdade dos seus cinco sentidos que ecoa livremente pelo espaço rasgando o silencio da noite já rompido pelo temporal. Nada a perguntar, que fosse eterno aquele momento enquanto o destino assim quisesse.

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