domingo, 30 de setembro de 2012

Pedras da Calçada

Olho aquelas pedras da calçada,
luzidias e gastas pelos pés que nelas pisaram,
parecem pedras preciosas de anos consentidos,

num silêncio solidário com as tristezas
e alegrias que lhes foram dadas observar!

E recordo-me do tempo da alvorada da minha vida,
onde não existiam pedras de calçada,
nem gastas, nem luzidias,
porque os pés descalços
não mereciam sentir o toque da calçada,
mas tinham o direito de se enegrecerem
com a terra e pó solto das ruas
e tropeçar nas pedras duras da vida,
que se interpunham no caminho.

Voltando a concentrar-me nas pedras desta calçada,
luzidias e gastas, pelos pés que nelas pisam,
que se colocam no meu caminho de agora
e observando os pés apressados que nelas deslizam,
vejo frieza e indiferença por quem passa ao lado...
E sinto alguma nostalgia daquele meu tempo,
embora o pó que se soltava das ruas nuas,
de cor escurecida por nadas
e com cheiro de pobreza,
tinham porém, a áurea da felicidade,
existia partilha de amizade entre todos
que calcavam descalços,
aquele chão de terra da verdade.

José Carlos Moutinho




Ainda sem destino!

Estou aqui neste meio
de confuso e difuso,
maluco e distorcido

pensar!
Que mais tenho eu
de olhar e ver
para que venha a fazer
algo que nunca fiz?

Bater a porta e sair
enrolar-me outra vez
ir para onde não sei ir
e tentar a ser feliz?

Esquecer quem sou,
fingir que estou de partida
e não ir!
Olhar a quem me vê de miragem
fazendo de mim a voltagem
daquilo que eu sempre quis!
Ou ficar bem quieta
pensar que a porta aberta
não é para mim e o que fiz?

Encerrar-me pela certa
vendo as nuvens passar,
e assim ficar a olhar
apurando que é o vento
que as está a empurrar!

Nada disto é certo,
ir, ficar, parar...
Então? Para onde me vou
atirar?

A um beco sem saída!
Não pensar na partida!
Não pensar em ficar!
Não pensar
que sou empurrada
como as nuvens ...!

Que sou eu sem
saber o que fazer
à minha vida!!

Maria Morais de Sá



Eu devo ter um problema muito grave
Não devo saber o que é o bom e o mau,
Não de

vo saber que loucura cometer,
Devo não ser um bom navegante numa nau,
Não devo saber quando chorar
Ou não devo saber quando amar,
Problema de me expressar
Ou de simplesmente de me calar,
Não devo saber escutar o meu silêncio
Não devo saber abandonar,
Não devo saber que o tempo passa
Enquanto a minha dor está a lamentar,
Não sou bom o suficiente para rir
Não, talvez até para sentir,
Não devo ser bom para fugir
Nem para um novo caminho seguir,
Eu devo ter um problema muito grave
Tudo me foge entre as mãos,
E não encontro a chave
De umas mãos sãos,
Não devo saber o que quero
Nem o que espero,
Nem sou bom quando desespero
Nem quando penso que apenas sou um mero,
Devo ter um problema
Não deva saber amar,
Não deva saber respeitar
Não devo saber acreditar,
O problema
Grande problema,
É que alguém me chama
Mas não me ama!


António Da Silva





SEM SENTIDO

Rasguei noites
Perfurei madrugadas
Esqueci os dotes

De Mulheres mal amadas
Pus-me ao caminho
Sem sentido nem destino
Percorri meio Mundo
Em busca de novos horizontes
Que felicidade trouxessem
Fizessem desabrochar o amor
Escondido debaixo da neve
Caída no meu Inverno
Qual grito de desespero
Num rio de tormentos
De remanso escondido
Fui louco, tolo ou crédulo
Por aquele riso aberto
De comportamento imprevisível
Sinto-me afogar
Num caudal de sentimentos
Não sei que fazer
Odiar é impossível...

António Augusto 




ALMAS JUNTAS

Ouvimos muito além do que dizemos !
Sempre esteve aqui !
Os segredos são palavras ao vento...

Para quem se atreve,para quem não se limita...
O amor dissolve neblinas,revela o sol...
Há sempre loucura no amor...
Há um pouco de razão na loucura...
Não habita no passado,na ausência...
Se edifica lentamente para ser eterna morada de nós...
Sem medir o tempo...
Contra minhas verdades !
Hoje sei que isso é amor !
Entender e captar a essência !
Daquilo que nos foi mostrado ?
Não menospreze a força do oculto !
Escuta aquele que sente ?
Que busca ouvir o que não foi dito ?
Entreguei-me a este louco amor...
Não vou passar pela vida,sem tê-lo vivido...
Na face do outro,saudade insana...
Vontade de sentir você...
Sentimento descontrolado...
Quero paz na trilha do amor ?
Fragmentos soltos no ar...
Sentir teus sentimentos ?
Penetrar tua alma...
Me induz a olhar o mundo por dentro !
Almas tão iguais...
Capturar o som do amor ?
Cúmplices e unidas no mesmo fogo !
Eternos momentos,de pura poesia...
Olhando o vago...
Meu coração expandiu...
Sussurrar palavras de amor...
Me encante sem dizer nada !
O envólucro têm o abraço...
As almas têm o enlace...
Certos sentimentos são únicos !
Compreendo as coisas que revela...
Quando se cala...
És um livro,páginas que esqueci ?
Nossas almas juntas...
Muito antes de nossos olhos se tocarem...

JULIANI ROSENDO




sábado, 29 de setembro de 2012

LER-TE…

Ler-te, é sentir-te
Em cada letra
Em cada palavra

Em cada frase
Em cada verso
Ler-te…
É como renascer de novo
É como o despertar
De uma nova aurora
É viver um mundo de sonho…
Ler-te…
É saborear
Cada momento
Como mágico
E encantado
Ler-te, é como AMAR-TE!

Fernanda Martins




Querer Secreto

És o meu amor secreto,
de ti, nunca falei a ninguém.
Vivo esse amor em silêncio, 

para mim, és o que há de
mais concreto.
Nos amaremos em segredo
sempre,seremos um do outro,
quando quisermos,
nada existe que à nos seja proibido,
juntos a esse amor viveremos.
Mesmo distantes, somos um só,
o meu coração, em ti habita.
És uma realidade,presente
a todo momento.
Assim continuarás sendo,
a toda e qualquer hora,
até o dia em que um de nós,
desta vida vá embora

(Roldão Aires)




SILÊNCIO


Ouço teu silencio gritar

não sei como te ajudar
se de ajuda é o que mais preciso
quero teu ombro amigo.


Somos feitos da mesma matéria
pelo mesmo Criador...
este amor é muito mais profundo
vai além...deste mundo.


Nosso encontro não é feito aqui
é em outra dimensão,
não é nesta razão
vai além da compreensão...


Esta atração está unificada
pelos corpos espiritual, físico e mental
tudo na terra é passageiro
mas este amor... verdadeiro


Quantos caminhos já percorridos
tantos anos vividos
é só questão de tempo
chegará este momento..


Tudo está no ar
só nos resta esperar
o sol sempre irá brilhar...
não há como separar


Um amor unificado
presente! futuro! passado!
poderá ser em outra ação
ou em outra vida...então!!


A paixão é passageira
é o caminho mais curto
para uma união verdadeira
Como a uma flexa certeira


Sabe onde me encontrar
deixe seu corpo carnal
te espero com o corpo astral
te encontrarei...afinal!!!
e, em prosas e versos
estaremos no Universo.



JRonaldo- JR





saliente está
feminilidade
na árvore contida
vida em erupção

ramos filhos feitos
presos para sempre
como se cordão umbilical
se tratasse
imponente se mostra
na altura
riqueza de madeira
nela contida
impossibilidade de se esconder
de um machado afiado
fura o espaço
na esperança de alcançar
uma nuvem
fazendo dela ponte de vigia
é seiva
o que dentro de nós
passeia

jorge morais




MEU PEDIDO

Tu que escutas 
Meu pedido
E me ajudas nas lutas

Tu sim que és meu amigo

Secas as lágrimas da saudade
Estendes-me a tua mão
Ofereces-me amizade
Não sentes por mim, compaixão

E por ti que posso fazer
Quando estás mal?
Não sei sequer que dizer
Sou uma simples mortal

Comum a tanta gente
Que sonha e tem fantasias
Quiçá um tanto diferente
Mas que quer estar a teu lado
Todos os dias

tulipanegra




sexta-feira, 28 de setembro de 2012

“ CALÇADA PORTUGUESA “

Este cinzel aceso
Este maço certeiro
Este lavrar suado
Este plantar antigo
Este esculpir dorido
De memórias vividas
Geometria implantada
No caos dos passeios
Estes cubos alados
Estas naus estes nós
Esta Rosa dos Ventos
Este leme cinzento
Esta História empedrada
Tem a cor das almas
Brancas e pretas
Pedras de um Xadrez
E as mão gravadas
De quem as fez.

Mas perde-se a hora
E os calcários da esperança
E nem nos lembramos
Que já fomos crianças
E por aí saltámos
Ao pé coxinho
De uma alma para a outra
Esquecemos pelo caminho
O calcetar da mente
O reinventar da esperança
Com conquistas presentes na lembrança
E assim perdemos de vista o monumento
Pisamos os nossos próprios traços
E só desbravamos caminhos tortos
Em vez de nos reconhecermos
Uns nos outros.

Carlos A.N. Rodrigues



Meditando


A água flui tal como 
As nossas emoções...

Sento-me aqui a vê-la,
A acariciá-la,
A contemplá-la
Despida de tudo
De todo o desamor,
De todo o preconceito, sujeito
A incessantes dúvidas...
Despida de mim
Mergulho então neste fundo lago
Lago esse, cheio de emoções profundas
E aquieto a minha mente, por vezes ausente
E tento gentilmente trazê-la
Para o momento Presente.
Dou conta dos meus pensamentos,
Não os classifico de bons ou maus
Pensamentos apenas...energia pura...
Como ondas num vasto oceano...
E ali permaneço com uma mente
Calma e serena,
Atenta a tudo o que me rodeia
Livre de medos, anseios, bloqueios
Apenas sendo...apenas em paz
Comigo mesma.



Sandra Matias




Uma palavra

Uma
mínima
palavra

as vezes
soa pouco
aos ouvidos,
mas faz
de imediato
pular
lágrimas
dos olhos,
dá um
nó dentro
da garganta
que chega
apertar
o estômago.
Dói tão
forte no
coração
que ele
parece
rasgar
dentro
do peito
uma mínima
palavra
(R. Ceolin)





Sacro silêncio 


É
Ás vezes
Bate a solidão
Que
Entre multidão
Fico alheio.

Pois
Então
Não quero
Aqui ninguém.

Eu já sou
Consolação
E
O sossego
É meu meio.

O
Sacro silêncio
Faz-me bem.


José Rodrigues (zeal)




quinta-feira, 27 de setembro de 2012

ciúmes sinto
destes pingos de chuva
que ensopam teu corpo
que o envolve

e o acaricia
que percorrem
teus fios de cabelo
um a um
que serpenteiam
teus seios
e cascata fazem
ao passar na tua entrada
cavernosa
ciúmes tenho
destas gotas
que ao caírem
se juntam ás lágrimas
que de teus olhos deslizam
engrossando o caudal
e fazendo parecer
que te afogas
ciúmes tenho
dos ciúmes que sinto

jorge morais




O Enlace

A terra molhada,
o barulho da chuva na vidraça,
o vento assobiando lá fora...

Está frio em toda a casa
tudo parece gelar...
excepto os nossos corpos
que se entrelaçam,
iluminados pela chama da lareira.
A Lua, essa feiticeira dos amantes observa
e sorri e as estrelas
testemunham com o seu brilho
o nosso enlace vivido
com verdadeira paixão
e muita ternura espalhada e sentida!

Bernardina Pinto