terça-feira, 30 de abril de 2013

Gil Ordonio

Eu Bem Sei Que Sorrirás...

Nunca conseguirás imaginar o que hoje lhe digo
Nem tão pouco o quanto lhe amei e ainda amo
Meus dias de tédio e noites de solidão, são infindos
E apesar de tudo isso, de nada, de nada mesmo reclamo

O frio da madrugada sempre que me abraça
Traz consigo uma solidão imensa e aziaga
E não há nada que eu tenha feito ou faça
Que me livre dessa nostalgia que me embriaga

E essa dor imensa que em minha alma se aprofunda
É uma tortura nesses meus dias tão sofridos
E a cada momento em que ela mais punge e abunda
Sinto meu peito sangrar num desejo proibido

E eu ainda conservo no refolho do meu olhar
Uma réstia de esperança que me abraça
Pois eu sinto que em algum outro lugar
Também sentes esse amor que o tempo não embaça

E eu bem sei que sorrirás... Sorrirás Sim
Se chegares a ler mais esse meu desabafo
Pois lembrarás que esse amor,até hoje sem fim
Será sempre teu, pois até hoje o guardo

E aí talvez possas finalmente compreender
Essa loucura que até hoje em mim vive
E que nada nem o tempo consegue vencer
Pois é nessa força que a minha alma resiste

Margarida Cimbolini

FAGULHAS DA MANHÃ
por Margarida Cimbolini

paridas nas noite
amanhecem
as fagulhas da manhã
noite que nunca dorme
cada dia amanhece
mais cansada
vida que parece
não ser vida amarrada
os sonhos acabaram de partir
o corpo estremece
transparente de denso
tensas ficam as pétalas
da flor colhida
amanhecem as fagulhas
na manhã mal erguida
soam como sombras
passam como passos
ilusão sombria
os sons são os farrapos
da manhã vazia

Maria Irene Frieza

Aconteceu

O que é que aconteceu?
Porquê, falar de coisas antigas?
Se tudo já se “esqueceu”…
E que finalmente já não há brigas…
Sim! Brigas não há…só por vezes dentro de mim…
Mas eu não quero ser essa assim!
Eu não sou mais a desprezada!
Agora eu sou uma mulher amada…
Alguém não me entendeu! Nem soube me dar valor…~
Mas que importância isso agora tem?
Se voltei a encontrar o amor!
O meu passado…é mesmo isso…passado,
Então porque saiu ele hoje…d’onde estava arrumado?
Talvez um momento de fraqueza!
Nisso eu quero acreditar…
Pois estou certa e com firmeza…
Que não mais o quero encontrar.

Alda Melro

AMOR
Queria encontrar outra palavra
que substituísse amor
já muitos a proferem
sem a sentirem
tornou-se banal
amor não se compara
a diversão
dizer que se ama alguém
sem o sentir é crime
é uma ilusão…

Jorge Caraça

Gaivota


Vai Gaivota vai no vento
Do Tejo da tua esperança
Trás as caravelas sem tempo
Navega cada momento
Nos olhos de uma criança

Vem gaivota vem voar
Sobre um chapéu marinheiro
E deixa o tempo passar
Vem gaivota vem pousar
No mastro de um cacilheiro

Vem gaivota e vem verdade
Pousar na crista da onda
Libertar toda a saudade
Neste mar de liberdade
Antes que a vida se esconda

Vem gaivota de asa negra
Nesse teu voar ligeiro
Como um amor que se entrega
A tempestade renega
Num coração mensageiro

Vem gaivota vem pescar
No rasto deste navio
Porque este tão grande mar
Alguém no cais faz esperar
Sujeito a morrer de frio

Quantos de nós se sujeita
Ao naufragar desalento
Na tempestade que espreita
Quando a vida se estreita
Vai gaivota vai no vento.

Telma Estevâo

De ti, meu amor
Só quero…

De ti, meu amor 
Só quero palavras inflamadas e belas 
Prolongar as horas, no verbo amar
E envolver-me nesse espraiar de feitiçaria.

Quero a intensidade e a sinfonia, dos teus lábios
Desenhando e despertando, os meus segredos
No encontro de um terno e aceso, olhar

De ti, meu amor
Só quero o horizonte, embelezado
Com labaredas e experimentar
A sedução perfeita, dos cânticos do mar.

Quero as mãos tuas, entrelaçadas e extasiadas
O teu sorriso ansioso e guloso
Sentir a doçura acesa das longas
E deliciosas madrugadas.

Quero a pureza dos teus sentimentos
Colorindo e abrindo a minha noite
Ficar á tua beira, saboreando
Os teus toques dissimulados

Como se não houvesse depois

Quero as insónias e os instantes, arrebatadores
A ilusão dormente, que me absorve
Temperada de loucura e afagos, perenes

Quero o lume gotejante e a fome
Dos teus abraços, que me aflui
E invade, perpetuamente

Saber que a mágoa já não se sente
Respirar, amor…e sedução
E parar contigo no tempo

De ti meu amor
Só quero, o perfume das auroras, encantadas
E o bailado íntimo dos meus sonhos


Sem saber sequer…onde tudo falece
E a onde tudo começa…

Antonio Montes

VOLTAR ATRÁS

Me transformou em macaco de sua sensação
e na jaula de sua monotonia me fez chorar
sorriu com o sofrimento da minha digna paixão
fez libertinagem de sua liberdade para zombar
e diz que nada tem com meu singelo coração.

Deu-me tombo na lama dos meus pensamentos
embrenhando com a sincera dignidade minha
deixou as minhas lagrimas expostas ao ventos
eu achava que do meu castelo você fosse rainha.

E meu sofrer, você como sempre nunca nada tem
sofro preso nesse ingênuo bridão de minha burrice
quem sabe se esse coração um dia arrume um bem
e na calada da alegria eu venha desfrutar da meiguice.

Não pense que o seu tempo nunca, jamais pode passar
ele esta correndo e você não parou e nem se quer viu
hoje com o sentimento de amor você vive o seu brincar
e no amanhã logo cedo, irá chorar por o tempo que partiu.

Não pense que irei sorrir de alegria pelo seu sentimento
saiba que eu tenho dó da sua infantil e singela inocência
eu sei que para ti o que importa é viver é o momento
e que no amanhã ficara adulta e isso você nunca pensa.

pensa que poderia ser diferente e sentirá muita dor
mas não poderá voltar a trás, pois o tempo se foi
então, viveras com arrependimento pregando o amor.

José Lindomar Cabral da Costa

EU - OU PRÍNCIPE QUE BEIJOU E DESPERTOU 
A SUSPEITA DE 1 CRIME QUASE PERFEITO

... parece que estou oniricamente vendo
Salieri, pálido de inveja,
extraindo secretamente da latrina
substâncias derivadas
de coisas excretadas
para em seguida
ir depositando-as discreta e paulatinamente
naquilo que Mozart mastigava e bebia
até que o mesmo viesse a falecer
(de causa que ainda hoje
permanece deitada sob a forma
metafórica e indecifrada de uma esfinge)
vítima, portanto, de um crime
quase perfeito, já que crimes desprovidos
de defeitos permanecem,
além de encantadoramente
carecidos do beijo de um príncipe,
belos e adormecidos para sempre...

Gaspar Oliveira


Céu Pina

Lágrima de Amor

Poemas amputados,
Choro palavras,
Tinta em gotas de sal.
Escrevo mágoa…

Soluço ausência,
Vento reúne recados,
Fragmentos dispersos de mim.

Reguei meu corpo,
Em rios de pranto.

Meu Amor, choro…

Engulo saudade de ser amada,
Quero ver-te, ouvir-te…
Adormece nos meus braços.

Só tu alcanças…
Passagem que me leva a ti,
Poesia embebida,
Numa lágrima de Amor.

Gil Ordonio

Os Anos Se Vão

Hoje, eu acordei outra vez muito triste
É que o inverno da minha vida não passou
E a cada momento ele sempre insiste
Que os bons tempos... Para mim não chegou

O tempo passa... Os anos se vão
E essa tristeza só tende a crescer
Sinto o fechar amargo do meu coração
Por essa ausência sem fim de você

Dizem que o tempo resolve tudo
Essa afirmação não consigo entender
Pois até hoje meu coração permanece mudo
Fechado para tudo que não seja você...

E receio a cada dia que passa
Do meu sonhado momento não acontecer
Pois eu sinto que meus dias têm luz baça
Que não me deixará contemplar você

E então nesse dia quando eu me for
Perceberás o que de fato aconteceu
Morri prisioneira desse louco amor
Mas mesmo assim... Meu amor não morreu

São Reis

Tem gente que nasce cantando
gente que vive encantando
e nem percebe

Tem gente que nasce poesia
e vive com a melodia
das sílabas brotando da boca

Tem gente que parece louca
e rodopia
feito um pião
Tem gente que parece ter o coração
batendo na palma da mão

Tem gente que parece sossego
se enroscando em nós
gente que parece rio
procurando sua foz

Tem gente que ri e faz rir
e só por isso merece o melhor
gente que ama
gente que trabalha
e se desunha
por um amanhã diferente

Tem gente que sente
a dor alheia
até de olhos fechados
Gente cuja sensibilidade é tão grande
que quase a adivinha

Tem gente que é multidão
e gente que é tão sózinha
que até dá dó

Mas no final toda a gente é igual
sofre e ama igual
se emociona se alegra se agiganta
se reduz e dimunui

No final toda a gente... é o mesmo pó!

Jorge Morais

barco aportado
de um sonho
sonhado
agora vivido
há muito viajado
num êxtase ilustrado
num corpo abandonado
de cansaço adormecido
sem remos nem velas
nem óleos sumidos
deixam fauna crescer
em lago por musa
encantado
numa ilusão de mar
parado
seduzido

Alfredo Costa Pereira

“A SERENIDADE DA PRIMAVERA”

Por Terra Mar e Ar anda toda a gente a correr.
Algumas levam saudade, outras corações a bater!
A Primavera trouxe, sobre as nuvens de algodão
O meu amor, a bater como nenhuma, o seu coração!

Acendeu-se-me uma alegria, cheia de luz, perfumada,
Como o canto da cotovia, ao raiar da madrugada!
A Primavera é uma quadra risonha, que rebenta a flor,
Que faz da terra inteira uma canção de amor!

E nossos olhos vão, pensando, seguindo o coração!
Perdem-se, logo tornando a prender-se nesta calma,
A tudo que nos rodeia, seja a um sonho, a uma ilusão!

Esse tudo ou esse nada, que no fundo é o amor
Também se alimenta de lágrimas, que para a alma
É como o orvalho da alvorada caindo sobre a flor!


Maria Alice

A CAVALO, MENINA MULHER TRAQUINA

A CAVALO PERCORRI UMA VIDA
ERA MENINA MULHER TRAQUINA
TRAUTEAVA FLORESTAS MONTANHAS
PASSEAVA MONTES E CAVERNAS
RIACHOS RIOS ACIMA
VERDES ERAM OS MATAGAIS
ONDE EU RIA
POR MÃOS AOS CÉUS EU PASSAVA
ERA ASSIM A MINHA SINA
FELIZ ANDAVA
O CAVALO NÃO DESISTIA
ERA A MINHA MANIA
NEM QUERIA SABER DA MÃE
O PAI NEM SABIA
EU EUFÓRICA DA VIDA
ERA A MINHA VIDA FELIZ
TRABALHO E OS CAVALOS
NEM TEMPO TINHA PARA OS PRINCIPIES
VIDA CHEIA DE CORRERIA
ANDAVA AS VOLTAS MAS CONSEGUIA
JUNTAR DINHEIRO PARA A CAVALARIA
JÁ NAQUELA ALTURA FICAVA CARO
E A MÃE DIZIA
VOU TRABALHAR
COITADA DA MINHA MAEZINHA
POIS ELA ACREDITAVA
ERAM MANIAS
DE MONTAR O NEGRO
FELIZ VOLTO A DIZER
ERA A GAROTA MAIS FELIZ
HOJE A FELICIDADE É OUTRA
É OS FILHOS O NETO E A NORA
MAS COM OS CAVALOS A ESPREITA
AINDA NÃO GANHEI JUÍZO
POIS EM MEU NEGRO EM SONHO AINDA MONTO
MEU CAVALO PREFERIDO
AGORA DEUS LÁ O TEM

MARIA FERNANDES

Fátima Porto

NOSSA VALSA

Cingiste-me
Pela cintura
Para a valsa
Só de nós dois

Ao ouvido sussurraste
Palavras só para mim

Dançámos pelo salão
Ao compasso de olhares
Da música que não tocava
Mas que sabíamos de cor

Roubaste-me um beijo
Perdido
No calor da nossa dança

Senti o corpo vibrar
Quando a valsa terminou
Tuas mãos em carícias
Que nossos lábios queimavam

Gaspar Oliveira

Eu em ti

Se eu conseguiu-se, dividir o meu coração em dois
Uma parte, estava sempre contigo
A outra, sempre a pensar em ti
E eu, eu seria uma lagrima nos teus olhos
Um sorriso no teu rosto
Um batimento do teu coração
O sol, a lua, uma estrela
Ou apenas o reflexo do teu corpo
Esculpido pelo sol, a sombra do teu ser
Ousadia ou talvez não
Apenas te quero dizer
Que dentro do meu peito
Brota um sentimento, uma razão
Que jamais vou dividir
Mas sim te entregar
Embrulhado em pétalas rosas
Este que é o meu coração.

Luiza Caetano

SECRETA DEDICAÇÃO

Beber?
Só posso mesmo beber
com alguém!

Alguém que motivou,
juntou as letras
e amalgamou
as emoções

as fez disparar
para além...

Ai, como eu queria brindar
esse momento
feito de alegrias,
risos e lágrimas!

Feito de dias e dias
esperando pelas esquinas
feridas de saudade,

Ergo a taça
e brindo
a ausência
e
as palavras
feitas poemas
que o vento não levou

Ana Paula Mendes

Nas asas do vento


Pouso nas asas do vento
levito em busca da ilusão 
na brisa da manha
encontro a frescura
saltitando nos raios de sol
colho pétalas de flores,
faço tapetes coloridos
para a passagem do amor.
As gotas de orvalho
refrescam-me o rosto
que transpira de paixão,
na lua repouso,
descanso
do caminho percorrido em busca de luz.
As estrelas são meu manto
cintilantes e bem alinhadas,
não sei seu nome
mas conto com elas
para me iluminar no caminho da vida.
Marte, Jupiter ou Saturno
pouco me importa qual deles paira sobre mim
a sua força é imensa
e a sua energia é sem fim.
Desço das asas do vento
e acordo da ilusão
tudo o resto é real
apenas ela é um sonho
é uma eterna paixão !!! 

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Glória Selles

“Apenas eu...”

Apenas eu conheço meus arroubos absurdos
E a incoerência, tento domar inutilmente.
Apenas eu sei o que movimenta meus surtos
E a causa desta insônia austera, indolente...

Apenas eu conheço os espectros desta cadeia
Que acorrenta meu caminhar embaraçado
Apenas eu sei da sofreguidão que permeia
Quando me olha, feito um passante desavisado...

Apenas eu sei adequar esta história cálida
Ao meu universo, ornamentando os tapumes.
Apenas eu sobrevivo a esta amabilidade pálida
Sustentando com altivez, meu orgulho incólume...

Somente eu sei ser festa em todos os teus momentos.
Ainda que insensível, eleja o som de outros ventos...

Celeste Leite

APETECE-ME!

Apetece-me recomeçar outra vez,
Dizer palavras frágeis, caladas.
Mas sinto a minha voz embargada
E o sabor já é só metade de mim.
Regresso à duvida em que me perdi.
E tudo o que poder-mos dizer um ao outro
Que seja com o brilho nos olhos
Um momento bom que fique guardado
Para que este poema não fique inacabado
E sim a pulsar de dentro pra fora.
Agora te deixo aqui
A minha amizade num cais à vista
Serei sempre saudosista
E tatuarei estas palavras na areia
Para que as ondas não as levem.

Ruiz Paz

MOMENTO 1187

Zelo mulher 
No embalar do meu colo.
O aroma do seu corpo
Entranhado nos meus poros
Não corre.
A beleza é sonho mor
O sorriso com certeza
Tímido, de moça pura.
O olhar meigo e doce
Inda são qualidades
De deusa. Imensa
És tu alva e singela
Zelante corpo de gazela
Sempre bela
Igual diva te cobiça...

Auber Fioravante Júnior

Em Verso e Prosa
Auber Fioravante Júnior

Já escureceu, 
O céu bordou-se em diamantes, 
Pela sacada a brisa adentra perfumando,
Embriagando, acolhendo o pranto,
Trazendo a voz que te conduz... Estro!

Ah, poesia!

Incontido, colo presente, madrigal,
Dos casarões iluminados, viela outonal
Por d’onde passou, revelou-se em prosa,
Em verso docente, velas para o amor
Pétalas para fragrância, intuição!

Oh, majestade, ó, a escrita!

Ensejo, de pronto desejo, maestria
Pelo casulo aberto, das notas voadoras
O ocaso, a melodia em sua infinda solidão,
Da dor a palavra coesa sobre a folha
O grito retido, plantando sonhos, ilusão!

Ah, semeador de letras, oh, escriba!

Luar, deste sempre, sina poética
Verdejante monte o das oliveiras... Amém!

Do som agudo os cantadores de vento
Nutrem a alma quebrando o brando do silente,
Roda rodopia borboleta do etéreo sentir,
Sob a flor és princesa, quimera sobre a mesa,
Pena tinteiro lábio carmim, amor, sedução!

Oh, Menestrel,
Oh, o amor!

José Carlos Moutinho

Amor desfeito

O sol escureceu dentro de mim
Apagou-se a luz da minha alegria
Chora-me a alma, iludida
por Ilusões, nascidas entre hortênsias
sopradas pela brisa suave do mar!
Naveguei de vela desfraldada
em canoa de amor imaginado,
que naufragou longe do porto de abrigo
A maresia salpicou a minha felicidade,
o meu coração, inocente, lamenta-se
de se entregar assim, desprotegido
num navegar inseguro !
Quebraram-se os remos dos abraços,
secaram os beijos pelo vento agreste,
apagou -se a paixão na ausência de calor
afundou-se a emoção do querer, desfalecido
soçobrou a canoa de amor desfeito,
na viagem de final improvável
entre ondas de tristeza!
Do céu caiam lágrimas de mágoa e dor
As estrelas olhavam-se incrédulas
por verem tanta infelicidade
A Lua escondeu-se
para não me ver chorar.

Antonio Montes

VIRAR DE CABEÇA

Fogo-pagou, canta fogo-pagou fogo-pagou
assim é a rolinha cantando carinhosamente
de manhã cedinho em seu galho seco pousou
com carinho na base do encanto inocentemente
lado a lado com a sua companheira amiga cantou.

Fogo-pagou antes porem acendeu o nosso amor
com afago e com carinho cedinho fogo-pegou
mas o nosso amor no tenro crepitar continuou
e a saudade imensa nunca, nunca si quer passou
e com esse amor em ti de braços dado estou.

Não é só o fogo que pegou ou fogo que apagou
tem o sabia que na figueira também vive a cantar
e o bem-te-vi por aqui é, te viu quando te olhou
o inhambu no repente se assustou correu e levanta
e o tiziu pequeno, mas em seu galho pulou-pulou
o quero-quero toda a sua boiada gritou espantou.

Logo na noite o lobo no morro sobe na pedra e urra
e o sapo sai do buraco, vem na luz atrás de mosquito
e na porteira passa bem treiteira aquela velha burra
o saci-pererê preto treiteiro assovia e da um grito
e no toco virando a cabeça ali esta a dona coruja.

Rosângela De Souza Goldoni


Valter Silva Ferreira

DIZ QUE ME DIZ

Diz-me cicatriz
O que é que te fiz
Que não te curas

Lembro-me apenas
Que de amor por ela
Fiz muitas loucuras

Diz-me cicatriz
Qual é o balsamo
Que te sarará

Senão o que verte
E que logo converte
Todo o ódio em amar

Diz-me cicatriz
Diga toda a verdade
Deste diz que me diz

Diz-me cicatriz
O que é que te fiz.

Teresinha Cardoso Cardoso

PASSADO!

Ainda uivo...do passado
todos os presentes
Que retidos em minh'alma
transparente,transbodam
Refletidos pelo espelho da mente
Horas sentidas,divididas
De um falar manso
Multiplicadas e coloridas
me estimulavam encantos
Despercebida me passava a vida
nesta ciranda de sonhos
trocas e sensações
Mas eis que surge em tempo,
distraída nestes devaneios,
desprevenida
Um lobo! devora todas
as recordações.....

Nanci Amorim


Pétala Suave

NO VÉU DA MINHA NOITE

No véu da minha noite
escondo o meu ser dolente
sob o brilho do luar curioso
enquanto uma lágrima
percorre o campo do meu rosto
aquecendo minh’alma triste...
Noite... Ó noite...
Abraça-me com o brilho do seu luar...
Noite... Ó noite...
Toca as mais belas sonatas
nos acordes do violão da saudade
acalentando o meu corpo frio
com a fogueira da grande paixão...
Noite... Ó noite...
Vela os meus sonhos
enquanto o meu ser adormece...

Céu Pina

Amor escondido

Não, não digas nada!

Penetrei sonhos,
Multiplicamos instantes.
Se o mundo descobrisse.
Que te Amo!...

Venço ventos fortes,
Na procura dos teus beijos.
Labareda resiste,
Poder de um grito,
Neste Amor de ontem,
De hoje e amanha.

Não quero vê-lo fugir,
Sou teu diamante,
Lapidado no teu desejo.

Entardecidas mares,
Encantadores olhares.
Magia aquecida,
Nas batidas do coração,
Só tu amor meu...
Absoluta resposta,
De viver sem medo,

Fernanda Lopes

Reencontro!

Enquanto o coração bater e eu sentir, 
não o vou esconder do sol, 
não mentirei às manhãs
que esperam de mim mais
do que um lamento.

Mesmo que me doa
vou com a tarde
ao encontro da noite
que os sonhos não nascem num só lugar
nem se esgotam num amor que acabou
sem saber escrever o verbo amar.

Não estarás à minha espera na estrada,
mas eu sem te procurar
encontro-te
no cruzamento de um olhar!

José Manuel Cabrita Neves

NÉCTARES

Como a abelha que de flor em flor,
Recolhe o suco p’ra fazer o mel,
Eu sorvo nos teus lábios, meu amor,
O suave sabor da tua pele…

Não há prazer maior que se revele,
Nem uma sensação de tal fervor,
Que aos instintos da carne não apele,
A uma extrema entrega sem pudor…

No extasiar do grande sentimento,
Na perda da razão e dos sentidos:
Fundem-se os corpos num só movimento!

Entre ternuras, gritos e gemidos,
Entrelaçam-se em acasalamento,
Até que ambos caiam de vencidos!...

Jrtrovador Zeal


Gil Ordonio

Livremente

Quantas vezes eu já senti
O suave perfume da saudade
Por tudo quanto com você vivi
Busco-o em minhas verdades

E quase que sem nenhuma razão
Sinto o corpo fremindo de desejos
E nesse momento percebo a emoção
Sufocando todos os meus medos

E uma lágrima cai pelo meu rosto
E a sinto livremente escorrer
E sinto ressuscitar o que julguei morto
esse meu enlouquecido desejo por você

E indiferente ao tempo, vejo amanhecer
E mais uma noite estive a lhe esperar
e tenho por certo que assim será,até você
Um dia surgir à minha frente e me falar

Mas acredito que serás tomado pela emoção
E nada do que pensasses irás me dizer
E eu como que encantada, sentirei no coração
A grande chance de amar outra vez você

domingo, 28 de abril de 2013

Celeste Leite

CAIXA DE LUZES

Há luzes, 
Pirilampos e caminhos a percorrer,
E palavras que vão tropeçando,
No caminho a decorrer

Amores que vão surgindo por acaso
E acasos que dão de caras com o amor
Há todo um conjunto de momentos
Que nos vão surgindo,
Quando o chão já está a ceder

Mas guardo numa caixinha toda a emoção
Tudo o que floresceu em mim
Ficando só em fundo falso
Toda a escuridão e tristeza
Que magoou este meu coração.

Jrtrovador Zeal


José Brites Marques Inácio

ATÉ FINAL
(JBMI)

Sinto-te por ora todas as cadências
até às funestas condolências
que participam murmúrios
e ferverosos açudes
ao sabor dos rios de indecências.

Indolente é o início
prepotente é o curso venal
impiedosa a candura em seu pio final.

Essa fome rasteirinha de embeber
pleitos de lágrimas e prazer
declama ao luar
um qualquer meandro capital.

Afinal, no alto da colina
jamais aportará a barca
dona de remos escondidos
asidos em vénia no meio do temporal.

Oh meu amor
restaura-me o sorriso
renascido em bico de canário
entre nós dúteis no último canavial.