domingo, 21 de outubro de 2012

PARTISTE

Partiste! Era Outono, quando tu partiste.
Deixaste-me mais só do que já me encontrava.
Toquei a pobreza e fiquei mais triste,

enquanto outro mundo já a ti se abraçava.

Partiste em saudade, assim decidiste.
O crepusculo amava-te, por ti se arrastava
escutei o teu gelo, que já não ouviste,
em terno segredo os teus olhos fechava.

Sustentei nos ombros estios e madrugadas,
lutos de andorinhas, trompas de alvoradas,
entravas na noite sem sonhos, sem norte.

Pelo teu “corpo virgem” a Terra apelava,
o sino da aldeia, perdido, dobrava
escondia-te a luz, sem vida, sem sorte.

Manuel Manços




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