segunda-feira, 6 de agosto de 2012

[POEMA #13] - Mote dado por: Aníbal Raposo

Desci ao Fundo de Mim


Adormeci…


E como se fosse realidade
Senti-me cair
Na vasta profundidade
Do âmago do meu ser.
Onde não mais existe sentir…

E como se o tempo parasse,

Ou de alguma forma o controlasse,
Vi fragmentos de meu coração,
Revivi tormentos de pura emoção,
Avivei pensamentos de louca paixão,
Mirei toda uma vida,
Toda a minha vida,
Sem me aperceber
Que o tempo passava…

Neste ar de vivo,

Mas de morto,
Espetador no cinema,
Erva daninha no horto,
Vi-me ao longe
Como se soubesse
Ou de outra forma
Pudesse prever,
Que se comigo
Me cruzasse
Algo mau
Poderia acontecer…

E continuava adormecido,

E continuava a cair…

Sem saber o que estava surgindo

Não sabia ao certo
Para onde estava a ir.
Não sabia nada,
Certezas nenhumas,
Clarezas escuras,
Nesta viagem por entre mim…

Sussurravam-me…


Sussurravam-me palavras,

Verdades, gestos,
Amizades, versos…

Naquela escuridão

Só via negro,
Não sentia meu coração,
Sim, estava com medo.
Medo de não mais
Sentir a vida…

Fui ao mais profundo do meu ser

Sem entender
Porquê assim?

Porquê a mim?


E mesmo ainda sem respostas,

Digo ainda a medo,
Que sim, fiz uma viagem,
Desci ao fundo de mim.


Escrito Por:Edgar Taveira
 
 

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