Incomum
Deixaste o amor pelos cantos
Ruirá o muro de sua fortaleza
O pranto em silencio os soluços
Deixaste o amor pelos cantos
Ruirá o muro de sua fortaleza
O pranto em silencio os soluços
Enterrado em vida nesta cratera de musgos
Criou o inverso do tempo
Paralisou a brisa e o vento
Cálice de morte
O veneno de sempre
Esqueceu o que talvez nunca fosse dito
Maldição de quem não salva a paixão
Agonizando verte a seiva
Sepulcral instante desta alma imunda
Tanta escarra na tosse mórbida seu padecer
Fraqueza medonha em suas feridas
Incomum foi sua ação em deixar-se morrer
Nem a morte nem a vida cura as feridas
Emplasto das ervas daninhas que sugam
Parasitando o resto da carne
Asqueroso ser fétido causando a repulsa
Pelos cantos se recolhe
Sem a luz que ergue passa seu sofrer
Impregnado de da dor encouraçado de amargura
Perdeu o pulso que flui e revigora
Sumindo dos sonhos como todo perecer
Hélio Ramos de Oliveira

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