sábado, 11 de agosto de 2012

Incomum

Deixaste o amor pelos cantos
Ruirá o muro de sua fortaleza
O pranto em silencio os soluços

Enterrado em vida nesta cratera de musgos

Criou o inverso do tempo
Paralisou a brisa e o vento
Cálice de morte
O veneno de sempre

Esqueceu o que talvez nunca fosse dito
Maldição de quem não salva a paixão
Agonizando verte a seiva
Sepulcral instante desta alma imunda

Tanta escarra na tosse mórbida seu padecer
Fraqueza medonha em suas feridas
Incomum foi sua ação em deixar-se morrer
Nem a morte nem a vida cura as feridas

Emplasto das ervas daninhas que sugam
Parasitando o resto da carne
Asqueroso ser fétido causando a repulsa
Pelos cantos se recolhe

Sem a luz que ergue passa seu sofrer
Impregnado de da dor encouraçado de amargura
Perdeu o pulso que flui e revigora
Sumindo dos sonhos como todo perecer

Hélio Ramos de Oliveira




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