domingo, 12 de agosto de 2012

Pianista


Uma janela aberta
Na noite, o som de um piano 

Acorda em mim, sentimentos adormecidos
Acompanha-o a voz forte de um soprano
Numa canção de amor e engano
Que fala de tristeza e amores perdidos

A lua deste Agosto silencioso e prateado
Parou, parece olhar pela janela e sorrir
Os dedos ágeis da pianista
Deslizam no teclado
Em gestos leves, pensados
Cada nota é uma flor a abrir

A leve brisa vinda do norte
Agita as árvores, pintando a lua
Dando-lhe pequenos recortes
E o som do piano, hora piano hora forte
Ecoa nas sombras da minha rua

Os dedos deslizam, os olhos fechados
A lua se esconde como a querer brincar
Na voz do soprano ligeiros vibratos
A lua ressurge, brilho renovado
Ao som do piano se vem juntar

O pé a bater, marcando o compasso
A música e a voz, perfeita harmonia
Brilhantes as notas, voando no espaço
Á lua se juntam, num forte abraço
Os dedos deslizam com grande alegria

Figura curvada, porem dominante
O som do piano, num leve beijar
A voz do soprano, figura elegante
Olhares e sorrisos, são reis por instantes
Recebendo aplausos do próprio luar



Jorge Caraça




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