Ausência de abraços
Nestes braços, delgados
Corroídos pelo tempo
Acolho a solidão
E o vazio do mundo.
Nestes braços, pálidos
Despidos de quentura
Só as vestes me agasalham
Do orvalho caído.
Nestes braços, silenciosos
As dores despertam, memorias
E gotejam saudade.
Nestes braços, sem veias
E amargos
Habita somente, a poesia.
Meu grito é um eco disperso!
A sós comigo
Vencidos pelo cansaço
De não ter, os teus braços
Agora e aqui…
Os meus braços mergulham
Nos tempos idos
E desenham-me o teu regresso.

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