segunda-feira, 13 de agosto de 2012

IMPOSSIBILIDADE

Não consigo transformar
este silêncio em voz audível,
estou cercado de conversas vazias.

Este amor é uma palavra calada e inerte,
levaste a chave do castelo
e a madeixa do meu cabelo,
levaste os meus lábios
quando sorriram pela última vez
e os meus dedos
que te desenhavam
e te faziam sucumbir.

Perdi a luz dos olhos,
agora agarro-me ao reflexo da lua
e aos bancos de madeira do jardim.

Ouço o vento
para lá do quadrante
onde te encontras…
Ah! Se não te amasse tanto,
deixaria que a noite
me habitasse por inteiro,
plantaria nuvens no céu
e proibiria a minha sombra
de me seguir.

Não consigo transformar
este silêncio em voz audível,
choro calado de mil gritos.


© Francisco Valverde Arsénio




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