terça-feira, 8 de outubro de 2013

Celeste Seabra

Sonho... e escrevo....

Talvez para me lembrar o quanto fui feliz,
para que a minha mente retorne ao tempo 
em que eu pousava os pés no chão para sonhar...
agora, também sonho, mas sem o chão tocar...
a realidade da idade, impede-me de voar...
ou talvez não...
Gosto de pensar que sou do contra,
que a minha natureza contraria todas as razões adultas
que me limitam o subconsciente...
e fazem-me prisioneira da minha própria liberdade...
uma invisível corrente!
ai... quanta saudade!
De sonhar livremente,
de ser aquela menina que brincava ás casinhas no meio das bouças,
Que fazia de pequenos cacos, finas loiças...
Que com uma simples erva de carrijó, fazia receitas da avó...
e brincava, tudo a sonhar... sonhava que me ia casar...
E não era qualquer casamento... era uma união perfeita!
Casaria num castelo, todo feito de cristal...
e o noivo era amarelo...
não sei lá porquê, mas era a cor que me ocorria nos sonhos,
amarelo, de olhos azuis, com o cabelo dourado... da cor do sol...
era lindo o meu namorado!
E quando eu fechava os olhos, ia jurar, que me cheirava camelo,
Ai.. que príncipe mais belo!
Eu, vinha vestida de algodão doce, toda cor de rosa,
Chegava numa carroça, puxada por dois unicórnios brancos,
cada um deles tinha asas... que saiam do ser dorso, batiam as asas suavemente,
e faziam o cheiro do caramelo entrar na minha mente!
e quando eu saía, da minha carruagem encantada,
pequenas fadas que me esperavam com cesta prateadas na mão,
cobriam o chão com pétalas de cor de rosa, mas não eram flores,
eram doces de amora...
e você que está a ler, pensa, amoras cor de rosa?, mas que disparate!
Pois até pode ser... mas o sonho é meu... e quem sabe sou eu!
Aquela menina, que hoje cresceu... mas posso jurar, tenho dias que acordo,
ainda com o cheiro a caramelo... do sonho do meu príncipe amarelo!
E sonho sem tocar o chão, na idade adulta, sonho de coração...
volto no tempo, sonho com aquela menina, que tinha asas na imaginação!
Sonho... e escrevo... talvez por isso...
porque a escrever, ainda caminho no doce de amoras,
que as fadas puseram no meu chão!
Toda eu, vestida de doce de algodão!

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